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Cientistas dentro e fora da L’Oréal: como a Companhia incentiva a igualdade de gênero no meio científico?

26 de abril de 2018

Cristina Garcia, Diretora Científica de Pesquisa e Inovação, conta como é ser líder e comenta ações de incentivo da empresa ao ingresso de mulheres na Ciência


No mundo inteiro, apenas 30% dos cientistas são mulheres. Para mudar esse cenário, o Grupo L’Oréal propõe diversas iniciativas para valorizar as mulheres que trabalham em seus laboratórios. Ao mesmo tempo, busca reconhecer cientistas de fora que se dedicam a pesquisas que podem mudar a sociedade com o prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência, que todos os anos premia sete cientistas brasileiras de diferentes campos de estudo. Para Cristina Garcia, Diretora Científica da área de Pesquisa e Inovação da L’Oréal Brasil, equilibrar os gêneros dentro de um ambiente de trabalho é vantajoso em vários sentidos e, na área das ciências, onde as mulheres são minorias, essas vantagens são ainda maiores por permitir novas visões para o desenvolvimento de uma pesquisa.


A L’Oréal está entre as 100 empresas do mundo com mais iniciativas à igualdade de gênero de acordo com o selo Bloomberg, divulgado em 2018. “Em termos de interesse para a ciência em si, isso é muito importante. A gente precisa ter a variedade de pontos de vista, de conhecimento, de cultura. A riqueza de um trabalho vem da diversidade que várias pessoas vão trazer para um determinado assunto. A outra questão é mais social mesmo, dar a chance igual para todos, é dar às mulheres a oportunidade de escolha”, opinou Cristina, que ressaltou que ainda existem muitos desafios. “Hoje, a ciência ainda é um meio dominado por homens, então a mulher é a pessoa que vai quebrar os paradigmas. Você tem que se provar mais, mostrar o seu lugar sem perder a essência da intuição feminina”, disse.


Como promover o crescimento profissional de mulheres?


Cristina Garcia trabalha na L’Oréal há mais de 10 anos. Hoje, ela assume um cargo de liderança e confessa ser fascinante e enriquecedor tanto do ponto de vista científico quanto em relação à questão do gênero. “A L’Oréal tem uma riqueza em termos de conhecimento sobre pele e cabelo. Do ponto de vista científico, é extremamente enriquecedor e é um ambiente muito favorável à presença da mulher nas pesquisas. Sinto que não existem barreiras para mulheres aqui dentro”, contou Cristina. Referindo-se à momentos naturais como licença-maternidade, ela conta: “Nós temos vários programas para auxiliar essa etapa e fazer com que as pessoas aproveitem esses momentos importantes”.


Programa Para Mulheres na Ciência é principal ação externa que promove igualdade de gênero no meio científico


O Programa Para Mulheres na Ciência é um dos maiores incentivos externos da L’Oréal ao ingresso e valorização profissional das mulheres na ciência. Há 13 anos, a parceria com a UNESCO e com a Academia Brasileira de Ciências dá bolsas para que várias cientistas continuem suas pesquisas. Jurada do programa há dois anos, Cristina Garcia diz que a premiação instiga outras mulheres a ingressarem no ramo das ciências. “O programa foi concebido para auxiliar os momentos críticos na carreira de uma mulher, como por exemplo, logo depois do doutorado. É uma maneira de dizer que a ciência tem que ter investimento, valorização e continuidade, não é uma coisa a curto prazo. Tem toda uma questão de notoriedade e reconhecimento do trabalho, porque, nem sempre, o mundo da ciência é fácil”, ressaltou a diretora científica.


Outro ponto importante do programa é a diversidade dentro do próprio gênero feminino. “O programa tem premiado mulheres de todo Brasil, como Rio Grande do Sul, da Amazônia, do Nordeste. Quando você fala com as novas premiadas, elas falam que o prêmio traz credibilidade nas áreas onde elas estão. Ao mesmo tempo, elas acabam sendo uma inspiração para a geração que vem atrás”, reconheceu Cristina Garcia.

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